April 2011
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Ela: Você tem um cigarro?
Ele: Estou tentando parar de fumar.
Ela: Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
Ele: Você tem uma coisa nas mãos agora.
Ela: Eu?
Ele: Eu.
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Ele: Mas não se mate. (silêncio) — Por favor.
Ela: Por favor o quê?
Ele: Não se mate.
Ela: Ah, esquece. O sol está indo embora. Só falta um terço dele.
Ele: Ninguém se mata por amor.
Ela: Agora só tem uma lasquinha dele, bem vermelha.
Ele: Olha, uma vez eu li um cara, um escritor chamado Cesare Pavese, que dizia assim: “Ninguém se suicida por amor. Suicida-se porque o amor, não importa qual seja, nos revela na nossa nudez, na nossa miséria, no nosso estado desarmado, no nosso nada “.
Ela: E o que aconteceu com ele, esse tal Cesare?
Ele: Se matou. (silêncio)
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proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias...
– Caio Fernando Abreu
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